sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Cartilha dá dicas para hábitos alimentares saudáveis



Iêva Tatiana - Hoje em Dia




Cartilha dá dicas para hábitos alimentares saudáveis
 
Ter uma rotina corrida ou não saber cozinhar não serão mais desculpas para quem descuida da alimentação e sucumbe à tentação dos produtos industrializados – facilitadores do dia a dia, mas vilões das dietas equilibradas. Essa é a proposta do novo Guia Alimentar para a População Brasileira, do Ministério da Saúde, que será lançado em Minas Gerais na próxima terça-feira, no campus da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
 
A publicação é uma revisão do guia anterior, de 2006. No novo material, elaborado com o auxílio de três professores da instituição mineira, a linguagem foi simplificada para facilitar a compreensão da população, ao contrário da edição anterior, direcionada aos profissionais da saúde.
 
“Esse guia vai ser menos prescritivo, com orientações gerais. Não vai ter aquela coisa de ‘consuma tantas porções, faça isso, não faça aquilo’, que são conceitos muito abstratos”, diz a professora do Departamento de Nutrição da UFMG Aline Cristine Souza Lopes, participante de uma das oficinas de avaliação da revisão do novo Guia Alimentar.
 
Segundo ela, a publicação é norteada por uma dica básica, porém, fundamental. “Consuma mais alimentos in natura nas preparações culinárias e evite refeições prontas para consumo e alimentos processados. Essa é a regra de ouro, uma espécie de síntese da mensagem principal”, frisa.
 
Atenção básica
 
Além de considerar o atual estilo de vida e os novos hábitos alimentares dos brasileiros – inclusive, os menos saudáveis –, o novo guia leva em consideração as pesquisas de orçamento das famílias, identificando os principais obstáculos para o consumo de refeições balanceadas e apontando soluções para elas, na tentativa de enfraquecer as desculpas comumente usadas por quem se alimenta mal.
 
Dessa forma, a meta do Ministério da Saúde é atingir o maior número possível de pessoas e sensibilizá-las em relação à prevenção de doenças crônicas provocadas pela má alimentação, como as cardiovasculares, diabetes, hipertensão, obesidade e até câncer.
 
“Os alimentos processados são ricos em açúcares, gorduras e sal, aditivos que prejudicam nossa saúde. Pesquisas mostram que, cada vez mais, estamos nos tornando sedentários, consumindo muitas calorias e desenvolvendo chances de adoecermos. Paralelamente a isso, a expectativa de vida está aumentando, o que nos dá mais chances de manifestar doenças. Da década de 1970 para cá, notamos claramente essas mudanças”, avalia Aline.
 
 
Teste de resistência
 
Para a endocrinologista Ana Lúcia Cândido, esse quadro é inaceitável, considerando o volume de informação disponível à população e os constantes alertas divulgados sobre os riscos inerentes à alimentação pobre em nutrientes.
 
“Mas, para reverter essa situação, as pessoas têm que querer, programar. Não é apenas uma questão de peso, é de saúde. E é preciso aliar o consumo de alimentos saudáveis à prática de atividades físicas”, ressalta Ana Lúcia.
 
É o que tenta fazer o gerente comercial Paulo Souza, de 45 anos, mas nem sempre com sucesso. “Corro três vezes por semana e tento associar essa prática a refeições balanceadas, mas acontece de o cansaço atrapalhar de eu ver meu filho comendo besteiras e não resistir. Nessas situações, acabo me descuidando. Ir a restaurantes também é uma prova, porque comemos com os olhos”. 
 
Opções variadas de comida desafiam a manutenção de uma dieta equilibrada
 
No dia a dia da especialista de projetos tributários Míriam Garcia Lara, de 40 anos, manter o foco na alimentação balanceada nem sempre é possível. Diante das tentações, ela confessa que, não raramente, se deixa levar pela vontade e abre mão do equilíbrio.
 
“Mas eu tento compensar, pelo menos. Se exagero em um dia, diminuo o prato no dia seguinte. Ter muitas e boas opções de saladas fora de casa facilita, nesses casos. Então, fico me policiando”, revela.
 
Ao contrário do que propõe o novo Guia Alimentar para a População Brasileira, que pretende derrubar as desculpas apresentadas por quem “enfia o pé na jaca”, Míriam acredita que a rotina agitada interfira, sim, na manutenção da dieta.
 
“A vida corrida atrapalha, com certeza. Por outro lado, como sei cozinhar, consigo pensar em combinações saudáveis quando como em casa. Isso ajuda. Vejo pelo meu marido, que não sabe fazer nada e fica só abrindo embalagens”, diverte-se a especialista de projetos tributários, referindo-se à adesão do parceiro aos alimentos industrializados, condenados pelo Ministério da Saúde e por profissionais da área.
 
Contraponto
 
Mas, se para Míriam as opções de verduras e legumes dos restaurantes são um incentivo, para o analista de sistemas João Helder, de 29 anos, massas e carnes são as concorrentes desleais. É que diante de cardápios tão variados – e suculentos – não sobra espaço para as refeições saudáveis no prato dele.
 
“Só o suco natural é que salva. Fico muito tentado com tanta variedade de comida gostosa e acabo sucumbindo a elas”, admite.
 
Segundo o analista, é mais fácil manter o controle em casa, com cardápios simples. “Só que eu almoço em restaurantes de segunda a sexta-feira, e, aí, é só besteira, para variar. Não me controlo”, afirma.
 
Participação da sociedade na elaboração do guia
 
O processo de elaboração do novo Guia Alimentar para a População Brasileira teve início em 2011. Para chegar ao material atual, foram realizadas oficinas regionais e nacionais com pesquisadores, profissionais da saúde, educadores e representantes de organizações da sociedade civil de todas as partes do país.
 
A conclusão ainda envolveu consulta pública com 436 participantes, entre instituições de ensino, órgãos públicos, conselhos e associações profissionais, setor privado e pessoas físicas. O resultado foram mais de 3 mil comentários e sugestões à nova versão.
 
O novo guia impresso possui 151 páginas ilustradas e será distribuído às unidades de saúde de todo o país. A versão digital está disponível no portal do Ministério da Saúde (saude.gov.br).
 
 
 
 

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