Pular para o conteúdo principal

07/11/2012 20h41

População cobra mais verbas para a agricultura familiar

Em audiência do PPAG, sociedade pede revisão de metas e do número de regiões beneficiadas por projetos do governo.



Representantes da sociedade civil cobraram maior comprometimento do governo estadual na aplicação de leis que protegem os pequenos agricultores, em Reunião Extraordinária da Comissão de Política Agropecuária e Agroindustrial da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, nesta quarta-feira (7/11/2012). O encontro, coordenado pelo presidente da comissão, deputado Antônio Carlos Arantes (PSC), aconteceu no âmbito da revisão do Plano Plurianual da Ação Governamental (PPAG) 2012-2015, exercício de 2013, sobre a Rede de Desenvolvimento Rural e o Programa Cultivar, Nutrir e Educar.

O presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg), Vilson Luiz da Silva, reclamou do corte de verbas de programas do governo criados para incentivar a produção da agricultura familiar e criticou metas estabelecidas em projetos estaduais que visam a proteção do setor. “Precisamos dobrar essas metas, o Estado não pode trabalhar por amostragem, não podemos trabalhar em uma região, esquecendo a outra”, questionou. Para Silva, o governo tem feito imposições aos pequenos produtores rurais que os prejudicam em detrimento do agronegócio.

O deputado André Quintão (PT) cobrou do Governo de Minas a incorporação definitiva das propostas populares aprovadas na Casa. Para ele, o Estado tem dificuldade em incluir no orçamento e planejamento originais, de forma definitiva, propostas de iniciativa popular aprovadas na Assembleia Legislativa.

Ainda na reunião, foram apresentados e disuctidos dados, metas e projetos dos programas Sustentabilidade e Infraestrutura no Campo e Cultivar, Nutrir e Educar, ambos da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Seus objetivos são, respectivamente, viabilizar a sustentabilidade das propriedades rurais mineiras e garantir o direito humano à alimentação.

O subsecretário de Agricultura Familiar, Edmar Guariento Gadelha, frisou que o Governo do Estado tem feito o necessário para cumprir exigência, estabelecida em lei, de fornecer alimentos originários da agricultura familiar à rede de ensino pública. A Lei Federal 11.947, de 2009, que dispõe sobre o atendimento da alimentação escolar, estabelece que, do total dos recursos financeiros repassados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), um mínimo de 30% deve ser utilizado na aquisição de alimentos oriundos da agricultura familiar.

A importância da participação popular na discussão das políticas públicas foi destacada pelos deputados Antônio Carlos Arantes, Rogério Correia (PT) e Fabiano Tolentino (PSD). Os três deputados parabenizaram a iniciativa da Assembleia em realizar os debates de revisão do PPAG e concordaram com a necessidade de reforçar a legislação específica da agricultura familiar no Estado.

Propostas para o PPAG - A reinserção de ações que protejam e fortaleçam os frutos do cerrado; o aumento do repasse de recursos para a execução de trabalhos nas bases; e a criação de escolas técnicas agrícolas foram umas das diversas propostas apresentadas pelos participantes desta audiência pública de revisão do PPAG.

Subsecretaria - A constituição da Subsecretaria de Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar foi elogiada por alguns participantes. Sua missão é promover o desenvolvimento rural sustentável, com ênfase na agricultura familiar e na expansão do agronegócio. Para o deputado Adelmo Carneiro Leão (PT), um dos desafios da Subsecretaria é colaborar com a elaboração de uma política de agricultura familiar, integrada ao contexto global, a fim de conhecer o verdadeiro valor do abastecimento deste tipo de produção.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

NOTA DE REPÚDIO DO CONSEA-MG À PARCERIA DO MDS COM AS EMPRESAS COCA-COLA E ARCOS DOURADOS / MC DONALD’S NO ÂMBITO DO SISAN E DAS COZINHAS SOLIDÁRIAS

  Belo Horizonte, 14 de março de 2025 O Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável de Minas Gerais, no uso das suas atribuições dispostas na Lei Estadual nº 22.806 de 2017 vem a público apresentar nota que manifesta veemente repúdio às recentes parcerias firmadas pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) com as empresas Coca‑Cola® e Arcos Dorados, operadora da rede de fast-food McDonald’s, visando ao fomento das Cozinhas Solidárias. Tal aliança, que se apresenta como uma iniciativa de inclusão socioeconômica, geração de emprego e combate à fome, revela, na prática, escancarado conflitos de interesse incompatíveis com os princípios e as diretrizes das políticas e dispositivos legais da segurança alimentar e nutricional. CONSIDERANDO: 1. Que o Protocolo de Intenções nº 32/2024, celebrado entre o MDS e a Coca‑Cola®, prevê a implementação de ações de capacitação, inclusão social e ampliação da rede de equipamentos de segurança alimentar, dentre eles as cozinha...

ENTREVISTA ESPECIAL DE D. MAURO AO COEP

Dom Mauro Morelli é uma figura história na luta contra a fome e a pobreza no país. Na década de 1980, foi bipo de Duque de Caxias, município da Baixada Fluminense, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, e liderou várias ações contra o descaso com crianças e adolescentes. “Essa coisa de dizer que criança que morre vai virar anjinho, é um abusurdo”, ressalta. Também participou de lutas pela reforma agrária e teve uma atuação de destaque no Movimento pela Ética na Política, que levou ao impeachment de Fernando Henrique Collor de Mello. “O Movimento   pela Ética aproveitou o momento para dizer que a maior corrupção do Brasil, na verdade, era o modelo de desenvolvimento que concentra renda. O absurdo era ser um grande produtor de alimentos e ter milhões de pessoas passando fome”, acredita. Nesta entrevista, D. Mauro fala de outra experiência igualmente importante na sua trajetória como defensor dos direitos humanos. Ele foi o primeiro presidente do Consea, ainda em sua edição de 19...

📢ATENÇÃO: ISSO É IMPERDÍVEL! FÓRUM TÉCNICO MINAS SEM MISÉRIA 🔺

 A partir do dia 17/07 (Quinta) que se iniciará às 16h, no Auditório José Alencar da Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Em um cenário histórico que clama por justiça social, surge uma oportunidade histórica para o estado. Se você, como nós, não se conforma com a realidade da fome e da miséria, se a preocupação com a compra do mês, a conta de luz e a garantia do alimento na mesa te move, então sua voz é essencial neste movimento.  A Assembleia Legislativa de Minas Gerais lança o Fórum Técnico Minas sem Miséria, uma iniciativa grandiosa que se estenderá de julho de 2025 a março de 2026. Este não é apenas um evento, mas um processo contínuo de escuta e construção coletiva 🤝. O principal objetivo é promover a participação da sociedade civil para colher sugestões que irão subsidiar a elaboração do Plano Mineiro de Combate à Miséria, previsto na Lei nº 19.990/2011, além de aprimorar as políticas públicas necessárias para erradicar a miséria em nosso estado. É o momento de uniã...