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Críticas à redução orçamentária na agricultura marcam PPAG




A redução orçamentária em diversas ações da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), especialmente na realização de feiras e em programas de agricultura familiar, mobilizou as discussões na audiência pública, realizada pela Comissão de Política Agropecuária e Agroindustrial da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) na última quarta-feira (dia 6). O objetivo do encontro era debater a proposta de revisão do Plano Plurianual de Ação Governamental (PPAG) 2012-2015, exercício 2014, no âmbito da rede de Desenvolvimento Rural e do programa Cultivar, Nutrir e Educar. 

Ao todo, foram apresentadas 12 propostas pelos participantes da audiência, a maioria reivindicando aumento de verbas. Uma delas diz respeito à Ação 1218 do PPAG. Em 2013, foi alocado R$ 1,630 milhão para o fortalecimento da agricultura familiar para o abastecimento alimentar. Em 2014, a meta financeira para essa rubrica é de cerca de R$ 361 mil.

O uso de recurso público para a realização de feiras foi a principal polêmica da reunião. Essa discussão teve início com Eduardo Nascimento, da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de Minas Gerais (Fetaemg). Nascimento criticou a meta orçamentária para a Agriminas, que caiu de R$ 400 mil, em 2013, para R$ 80 mil, em 2014. “Propomos aumentar para R$ 500 mil, pois a última edição teve 49 mil visitantes, vários negócios foram feitos, e a tendência é de crescimento", apontou.

Eduardo Nascimento criticou também a Ação 4008, de apoio a parcerias fundiárias. Em 2014, está previsto o atendimento de apenas 50 famílias, com R$ 20 mil de recursos. “Isso é mais do que um corte. Isso está eliminando a possibilidade de ações de regularização fundiária”, alertou.

O assessor chefe de Gestão Estratégica e Inovação da Seapa, Felipe Gomes Ribeiro Passos, lembrou que, de R$ 400 mil destinados para a Ação 4086 na Região Central do Estado neste ano, a secretaria disponibilizou R$ 168 mil. Essa ação corresponde à realização da Feira Estadual de Agricultura Familiar (Agriminas). Segundo Passos, a Agriminas é uma feira em que acontecem troca de ideias compartilhadas entre agricultores e divulgação dos produtos comercializados. “A secretaria é parceira da Fetaemg, não executa nada além disso. Já avançamos muito em relação ao passado, pois hoje temos uma área específica para a agricultura familiar. Ainda temos que avançar muito, mas estamos no caminho. Algumas ações com metas específicas não conseguimos cumprir porque a verba não é suficiente", ressaltou.


Agricultura Familiar




“A agricultura familiar representa 79% dos estabelecimentos de agricultura no Estado. Quase 100% dos alimentos que consumimos vêm da agricultura familiar”, defendeu o subsecretário de Agricultura Familiar da SEAPA, Edmar Gadelha. Ele observou que a estratégia de ação da subsecretaria é centrada em quatro pilares: sustentabilidade da agricultura familiar (importância de investir no fomento e na orientação técnica), agregação de valor a produção (beneficiar e processar os produtos), comercialização (incentivo via benefício tributário) e fazer com que todas essas ações passem pelo controle da sociedade (sob a forma de conferências, conselhos e audiências públicas).

Para Gadelha, uma peça fundamental para a concretização desses pilares é o programa de apoio a feiras livres, como as feiras promocionais. “Estudos acadêmicos têm demonstrado a potencialização que as feiras de exposição têm nas cidades mineiras. O que dinamiza a economia local, nos parques de exposição, são essas feiras. Por isso o Governo de Minas as incentiva, gerando riqueza e tributos”, completou.


Alimentação escolar integra programa estruturador




A gerente do programa Cultivar, Nutrir e Educar, Do Comitê Temático de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (CTSANS), Jacqueline Miriam Maciel Junqueira, destacou que o programa é intersetorial e que, nessa condição, tem uma característica importante de participação popular. “Houve 25 pré-conferências apontando prioridades para o programa de segurança alimentar”, ressaltou. 

Jacqueline ressaltou ainda a importância da Lei Federal 11.947, de 2009, que, segundo ela, “vem trazendo benefício para a agricultura familiar e para o aluno, reconhecendo como direito a alimentação escolar". "Para muitos é a única refeição que recebem no dia”, lamentou. Essa lei dispõe sobre o atendimento da alimentação escolar e do Programa Dinheiro Direto na Escola aos alunos da educação básica.

O programa estruturador Cultivar, Nutrir e Educar, vinculado ao projeto estratégico Fortalecimento da Agricultura Familiar para o Abastecimento Alimentar, da Secretaria de Estado da Agricultura (Seapa), beneficia diretamente 1.571 agricultores familiares, abrangendo 130 municípios de sete regiões do Estado – Norte, Zona da Mata, Jequitinhonha/Mucuri, Rio Doce, Central, Noroeste e Centro-Oeste.

Esse programa foi criado pelo Governo para garantir alimentação saudável e adequada aos alunos da rede pública estadual de ensino. A iniciativa melhora a qualidade da alimentação escolar, fortalece a agricultura familiar e promove a educação alimentar e nutricional. Em Minas Gerais existem 3.900 escolas estaduais e mais de 2 milhões de alunos que diariamente se alimentam na escola.
Ressaltando a importância da educação alimentar, a assessora de Educação do Campo da Fetaemg, Ellen Vieira Santos, apresentou proposta de acréscimo de R$ 1,5 milhão aos R$ 360 mil destinados à Ação 1218 (fortalecimento da agricultura familiar para o abastecimento alimentar).

Parlamentares criticam redução de verbas


O deputado Fabiano Tolentino (PPS), vice-presidente da Comissão de Política Agropecuária e Agroindustrial, expressou seu descontentamento com a diminuição do orçamento de 2014 em relação a 2013. “A secretaria já conta com poucos recursos para agir, e devemos questionar por que foram diminuídos. Vamos tentar revalidar algumas ações e voltar com projetos que foram retirados, a fim de que a secretaria faça um trabalho melhor”, afirmou o parlamentar.

Para Tolentino, atualmente, a agricultura e a pecuária são divisores de água em Minas. Ele lembrou do projeto Bolsa Verde, que, segundo Tolentino, é bom para o Estado e precisa sair do papel. Também citou avanços, representados pela Lei do Queijo Artesanal. Antes, os produtores eram maltratados pela fiscalização.

O deputado André Quintão (PT), presidente da Comissão de Participação Popular, disse que haverá uma negociação com a Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag) com o objetivo de analisar as propostas apresentadas na audiência desta quarta-feira. Para Quintão, essa é a parte mais intrincada, quando se tenta regionalizar algumas ações ou trazer de volta outras que foram tiradas do planejamento. “Já percebemos uma grande redução de recursos na área de agricultura familiar, e é uma área promissora para o Estado. Sabemos que não se faz política pública sem recurso público. Vamos aguardar esse apanhado das sugestões, que serão analisadas com muito carinho”, completou.



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