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“Voltei para o campo e não me arrependo”

AQUISIÇÃO DE ALIMENTOS

William Moura Fernandes trocou a cidade pela área rural. Assentado, ele trabalha junto com a família na produção de hortaliças, que vendem para o PAA e o Pnae
Brasília – Willian Moura Fernandes, 24 anos, tem orgulho de dizer que é assentado. Morador de Pederneiras, no interior de São Paulo, ele trocou a cidade pelo campo aos 18 anos para acompanhar a família. A mudança não foi fácil. Ele tinha acabado de ingressar na faculdade de Educação Física e a vida no campo não estava nos planos. Mas hoje ele não se vê em outro lugar. “A adaptação foi difícil, mas hoje não sei como seria ter a vida corrida e estressante da cidade. Voltei para o campo e não me arrependo.” 
Morar novamente na área rural foi uma decisão da mãe, Iraci Dias de Moura, em busca de qualidade de vida. A família já tinha morado no assentamento, quando os filhos ainda eram pequenos e a área não era regulamentada. Mas a vida na cidade não foi como dona Iraci esperava.
O jovem chegou no assentamento sem entender muito do trabalho no campo, mas com o tempo e a participação na Associação de Agricultores Familiares (ACAF) do Assentamento, ele já está craque no assunto. “Acordo de manhã, pego minha enxada e já vou pra lida. A melhor coisa de trabalhar no campo é a gente não ter chefe”, conta o jovem, sorrindo.
No assentamento Horto de Aimorés, cerca de 300 famílias produzem hortaliças, frutas e verduras. A família planta tomate, alface, muitas hortaliças e cheiro verde. A produção é vendida por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), tanto em Pederneiras como em Bauru. “Temos também um pequeno tanque que usamos para aguar a horta e criar peixes para no nosso consumo.” 
Willian lembra que, durante o período que lecionava, chegou a trabalhar em uma escola que recebe alimentos da agricultura familiar para a merenda. “Ver crianças comendo esse alimento é muito gratificante. Ver isso não tem preço”. O jovem afirma que o PAA e o Pnae mantêm as famílias na terra. “É de fundamental importância, porque tem gente que não consegue vender em outro tipo de comércio e consegue vender para o programa.”
O assentado participou como delegado na 5ª Conferência de Segurança Alimentar e Nutricional, realizada na semana passada, em Brasília. Como ele faz questão de dizer, “representando os jovens dos assentamentos”. “Tenho um privilégio muito grande. Sei de onde está vindo a comida que eu estou comendo. Mas a maioria das pessoas não sabe, por isso precisamos lutar pela alimentação saudável.”
A vida saudável do campo seduziu William. E ele não tem planos de sair. “Eu quero ter uma família aqui, criar meus filhos e não voltar para a cidade”, afirma. Para aqueles que querem fazer o caminho inverso ao dele, ele tem um recado: “Quero dizer aos jovens que pensam em sair da roça que lutem para ficar. É possível viver no campo. Se ele tiver forças para trabalhar, acordar cedo ele consegue ter uma vida prospera. Produzir alimentos é vender vida para as pessoas.”

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